Este
ano de 2014 a liturgia da Igreja será conduzida junto ao evangelho de Mateus,
evangelista este que nos relata um Jesus Cristo humano entre nós, que podemos
tocar e abraçar, mas que também é sagrado, pois podemos receber em nós seu
corpo e sangue para revigorar nosso espírito. A possibilidade deste feito se dá
somente a este que foi homem e santo por atitudes realizadas e milagres que
perpassam de geração a geração.
Primeiramente
antes de aprofundarmos neste livro temos que saber quem foi Mateus, o que ele
pensava e onde vivia, assim compreendemos em qual contexto foi escrito seus
textos e como podemos interpretá-los realmente.
Um
pouco sobre Mateus
No
tempo de Jesus Cristo, na época em que a Palestina era apenas uma província
romana, os impostos cobrados eram onerosos e pesavam brutalmente sobre os
ombros dos judeus. A cobrança desses impostos era feita por rendeiros públicos,
considerados homens cruéis, sanguessugas, verdadeiros esfoladores do povo. Um
dos piores rendeiros da época era Levi, filho de Alfeu, que, mais tarde,
trocaria seu nome para Mateus, o "dom de Deus". Um dia, depois de
pregar, Jesus caminhava pelas ruas da cidade de Cafarnaum e encontrou com o
cruel Levi. Olhou-o com firmeza nos olhos e disse: "Segue-me". Levi,
imediatamente, levantou-se, abandonou seu rendoso negócio, mudou de vida, de
nome e seguiu Jesus.
Acredita-se,
mesmo, que tal mudança não tenha realmente ocorrido dessa forma, mas sim pelo
seu próprio e espontâneo entusiasmo no Messias. Na verdade, o que se imagina é
que Levi havia algum tempo cultivava a vontade de seguir as palavras do profeta
e que aquela atitude tenha sido definitiva para colocá-lo para sempre no caminho
da fé cristã.
Daquele
dia em diante, com o nome já trocado para Mateus, tornou-se um dos maiores
seguidores e apóstolos de Cristo, acompanhando-o em todas as suas caminhadas e
pregações pela Palestina. São Mateus foi o primeiro apóstolo a escrever um livro
contando a vida e a morte de Jesus Cristo, ao qual ele deu o nome de Evangelho
e que foi amplamente usado pelos primeiros cristãos da Palestina. Quando o
apóstolo são Bartolomeu viajou para as Índias, levou consigo uma cópia.
Depois
da morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos espalharam-se pelo mundo e
Mateus foi para a Arábia e a Pérsia para evangelizar aqueles povos. Porém foi
vítima de uma grande perseguição por parte dos sacerdotes locais, que mandaram
arrancar-lhe os olhos e o encarceraram para depois ser sacrificado aos deuses.
Mas Deus não o abandonou e mandou um anjo que curou seus olhos e o libertou.
Mateus seguiu, então, para a Etiópia, onde mais uma vez foi perseguido por
feiticeiros que se opunham à evangelização. Porém o príncipe herdeiro morreu e
Mateus foi chamado ao palácio. Por uma graça divina fez o filho da rainha
Candece ressuscitar, causando grande espanto e admiração entre os presentes.
Com esse ato, Mateus conseguiu converter grande parte da população. Na época, a
Igreja da Etiópia passou a ser uma das mais ativas e florescentes dos tempos
apostólicos.
São
Mateus morreu por ordem do rei Hitarco, sobrinho do rei Egipo, no altar da
igreja em que celebrava o santo ofício da missa. Isso aconteceu porque não
intercedeu em favor do pedido de casamento feito pelo monarca, e recusado pela
jovem Efigênia, que havia decidido consagrar-se a Jesus. Inconformado com a
atitude do santo homem, Hitarco mandou que seus soldados o executassem.
No
ano 930, as relíquias mortais do apóstolo são Mateus foram transportadas para
Salerno, na Itália, onde, até hoje, é festejado como padroeiro da cidade. A
Igreja determinou o dia 21 de setembro para a celebração de são Mateus,
apóstolo.
Reflexão
sobre seus textos
Ao
aprofundarmos então a leitura de seus textos, após entendermos um pouco sobre a
vida e ação deste evangelista, percebemos a necessidade de se mostrar um Jesus
que viveu como nós vivemos: tendo fome, sede, dúvidas, sentimentos e entre
outras reações fisiológicas e sentimentais de natureza humana, pois é Deus
encarnado para vivenciar tudo aquilo de bom que criaste. E por conviver sempre
com apóstolos e discípulos, indo em missão por muitas partes do continente, Mateus
nos remete a reflexão da exigência de ser um seguidor fiel deste Cristo e como
ser Igreja em comunidade.
O evangelista
já inicia seu livro com a arvore genealógica do carpinteiro José, onde nos
mostra a ação de Deus através das gerações até chegar naquele que seria um
importante personagem que ajudara na formação do nosso salvador.
Após
nos remete a refletir sobre a exigência de ser discípulo de Deus com as frases
de impacto “As raposas tem suas tocas, as aves seus ninhos, mas o filho do
Homem não tem nem onde repousar sua cabeça” (Mt 8, 20) e “Que seus mortos enterrem seus mortos...” (Mt
8, 22) este nos mostra que temos que realmente nos encantar pela missão do
discipulado, que não é algo que devemos chegar e dizer “eu quero”, mas sim “eu
fui chamado”. Para ser encantado pela missão evangelizadora e ser um anunciante
da Boa nova do Reino tem duas formas de ser chamado: observar as lideranças e
ir atrás de seu conhecimento até se encantar pela proposta, ou seja, ser
convidado por alguém a participar ou ser chamado por Deus, ou seja, quando é
tocado por um sentimento grandioso e inexplicável que só se entende depois que
consegue se inserir em seu verdadeiro objetivo.
E por
fim temos a simbologia da partilha do pão e vinho na Santa Ceia, ou conhecida
também como A Última Ceia, onde Jesus entrega a todos seu corpo e seu sangue em
comunhão como sinal de sua partilha de santidade a cada um e cada uma para que
continue a missão que a ele foi consagrada pelo Pai. A simbologia desta ceia se
dá na finalização deste livro quando, após a ressurreição, já no monte na
Galiléia, o Messias envia a todos e todas para continuar seu trabalho de
evangelização a partir dos versículos que segue para o fechamento deste artigo,
de Mateus 28, 18-20:"E chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém."
Pastoral da Juventude da Comunidade Coração de Maria, Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Guajuviras - Canoas/RS.
Graduando em bacharel em História pela Universidade Luterana do Brasil - campus Canoas.
Artigo escrito a partir de reflexões da formação sobre Jesus Cristo no evangelho de Mateus, ministrado pelo Ministério da Palavra do Vicariato Episcopal de Canoas.
Fonte sobre Mateus:
Site da editora Paulinas, acessado no dia 18 de janeiro de 2014, às 12:15 hs, pelo link http://www.paulinas.org.br/diafeliz/?system=santo&id=450


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